21 nov

Pesca da Corvina

Dicas infalíveis para fisgar a corvina, uma das mais cobiçadas freqüentadoras dos fundos de areia.

Sempre que vamos pescar, ao chegarmos à praia, armamos os
equipamentos, conferimos os itens e preparamos as iscas com carinho. Então, vem
o insolúvel pensamento: “hoje é dia, que bom será se eu pegar uma bela corvina”.
A espécie (Micropogonias furnieri) recebe de nós, apaixonados por sua pesca,
alguns apelidos carinhosos. Particularmente, chamo-as de “cabeçudas”, devido ao
tamanho avantajado de sua cabeça em relação ao corpo.

Peixe de escamas grossas, barriga branca, corpo alongado prateado e dorso com coloração
levemente roxa, a corvina é um peixe que ocorre na areia, bem próximo ao fundo,
constantemente procurando por alimento. Ela passa vasculhando tudo com sua boca
voltada para baixo. Tenho notado maior incidência de capturas da espécie com
tempo adverso, chuvoso e com ventos leves. Sua abocanhada é inconfundível,
levando linha para o fundo e, com certeza, proporcionando grandes alegrias ao
pescador de praia.

Equipamentos: caniços de ação média e rápida para arremessos longos,
principalmente quando as encontramos nos canais mais afastados da beira. Pode-se
usar linha com 6 a 10 libras de resistência, ou espessura entre 0,16 e 0,25 mm,
de monofilamento. Mesmo as linhas mais finas, quando trabalhadas em conjunto com
a fricção do molinete, tiram a corvina com segurança da água. O tamanho dos
anzóis varia entre 10 e 14. Os modelos mais usados são Maruseigo e Hansure.
Como, na maioria das vezes, são necessários arremessos de longo ou médio
alcance, os chumbos arredondados, como “beach bomb”, “carambola”, “gota” e
“torpedo”, são ótimas opções.

Chicotes: a sugestão mais comum é o chicote com linha 0,45 mm, dois rotores,
distância de 70 cm entre os rotores (R$ 2,00 nas lojas especializadas) e
pernadas de 30 cm. No entanto, como sabemos tratar-se de um peixe que entra na
pernada de baixo na grande maioria das vezes, pode-se usar um chicote com apenas
um rotor. Este chicote de apenas um rotor, é dificilmente encontrado em lojas.
Assim, temos que confeccioná-los manualmente, o que não é nada complicado (ver ilustração).

Iscas: pode-se usar várias iscas em busca da corvina, não raro com
preferências específicas de acordo com a região. Lula, camarão e corrupto são as
mais usadas. Iscas de tamanho médio para grande são bem-vindas. Corruptos
inteiros, lulas pequenas inteiras ou pedaços de lulas grandes, camarões inteiros
e pedaços (ou “bolotas”) de camarões são abocanhados sem dó pela cabeçuda.

Chicote de um rotor e pernada longa

Uma das melhores preparações
de chicote para a pesca da corvina, e que tem apresentado ótimos resultados, é o
chicote de apenas um rotor, que fica embaixo, próximo ao chumbo. Outra forma é
com uma pernada fixa no girador, na extremidade da linha, com chumbo “oliva” ou
“bola”, que corre na linha do chicote. A grande sacada é o comprimento da
pernada, longo, variando de 1,2 a 1,5 metro, proporcionando liberdade de
movimento e área de varredura muito maiores no fundo, tornando-se praticamente
irresistível para as corvinas que passarem por perto.

Autor:
Marcelo Rubio Esteves

Matéria: Coluna da Revista Pesca
Esportiva, Edição Nº 129/Maio de 2008.


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